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terça-feira, 11 de abril de 2017

Uber é banido da Itália

Uber é banido da Itália por concorrência desleal contra os taxistas.


A equipe do Uber emitiu um comunicado dizendo que irá recorrer da decisão porque é baseada em uma lei de 25 anos, e que não se aplica aos tempos modernos. "Nós estamos chocados pela decisão da justiça italiana e vamos recorrer. Milhares de motoristas profissionais, licenciados, usam o app do Uber para gerar renda e oferecer transporte confiável ao apertar de um botão para italianos.

Fonte:Hardware

domingo, 3 de agosto de 2014

Carta aberta de Roger Waters (Pink Floyd) sobre a Palestina (2013)

Carta aberta de Roger Waters (Pink Floyd) sobre a Palestina

Em 1980, uma canção que escrevi, Another Brick in the Wall (Part 2), foi proibida pelo governo da África do Sul porque estava sendo usada por crianças negras sul-africanas para reivindicar o seu direito a uma educação igualitária. Esse governo de apartheid impôs um bloqueio cultural, por assim dizer, sobre algumas canções, incluindo a minha.

Vinte e cinco anos mais tarde, em 2005, crianças palestinas que participavam num festival na Cisjordânia usaram a canção para protestar contra o muro do apartheid israelita. Elas cantavam: “Não precisamos da ocupação! Não precisamos do muro racista!” Nessa altura, eu não tinha ainda visto com os meus olhos aquilo sobre o que elas cantavam.

Um ano mais tarde, em 2006, fui contratado para atuar em Telavive.

Palestinos do movimento de boicote acadêmico e cultural a Israel exortaram-me a reconsiderar. Eu já tinha me manifestado contra o muro, mas não tinha a certeza de que um boicote cultural fosse a via certa. Os defensores palestinos de um boicote pediram-me que visitasse o território palestino ocupado para ver o muro com os meus olhos antes de tomar uma decisão. Eu concordei.

Sob a protecção das Nações Unidas, visitei Jerusalém e Belém. Nada podia ter-me preparado para aquilo que vi nesse dia. O muro é um edifício revoltante. Ele é policiado por jovens soldados israelitas que me trataram, observador casual de um outro mundo, com uma agressão cheia de desprezo. Se foi assim comigo, um estrangeiro, imaginem o que deve ser com os palestinos, com os subproletários, com os portadores de autorizações. Soube então que a minha consciência não me permitiria afastar-me desse muro, do destino dos palestinos que conheci, pessoas cujas vidas são esmagadas diariamente de mil e uma maneiras pela ocupação de Israel. Em solidariedade, e de alguma forma por impotência, escrevi no muro, naquele dia: “Não precisamos do controle das ideias”.

Tomando nesse momento consciência que a minha presença num palco de Telavive iria legitimar involuntariamente a opressão que estava a testemunhar, cancelei o concerto no estádio de futebol de Telavive e mudei-o para Neve Shalom, uma comunidade agrícola dedicada a criar pintinhos e também, admiravelmente, à cooperação entre pessoas de crenças diferentes, onde muçulmanos, cristãos e judeus vivem e trabalham lado a lado em harmonia.

Contra todas as expectativas, ele tornou-se no maior evento musical da curta história de Israel. 60.000 fãs lutaram contra engarrafamentos de trânsito para assistir. Foi extraordinariamente comovente para mim e para a minha banda e, no fim do concerto, fui levado a exortar os jovens que ali estavam agrupados a exigirem ao seu governo que tentasse chegar à paz com os seus vizinhos e que respeitasse os direitos civis dos palestinos que vivem em Israel.

Infelizmente, nos anos que se seguiram, o governo israelita não fez nenhuma tentativa para implementar legislação que garanta aos árabes israelitas direitos civis iguais aos que têm os judeus israelitas, e o muro cresceu, inexoravelmente, anexando cada vez mais da faixa ocidental.

Aprendi nesse dia de 2006 em Belém alguma coisa do que significa viver sob ocupação, encarcerado por trás de um muro. Significa que um agricultor palestino tem de ver oliveiras centenárias ser arrancadas. Significa que um estudante palestino não pode ir para a escola porque o checkpoint está fechado. Significa que uma mulher pode dar à luz num carro, porque o soldado não a deixará passar até ao hospital que está a dez minutos de estrada. Significa que um artista palestino não pode viajar ao estrangeiro para exibir o seu trabalho ou para mostrar um filme num festival internacional.

Para a população de Gaza, fechada numa prisão virtual por trás do muro do bloqueio ilegal de Israel, significa outra série de injustiças. Significa que as crianças vão para a cama com fome, muitas delas malnutridas cronicamente. Significa que pais e mães, impedidos de trabalhar numa economia dizimada, não têm meios de sustentar as suas famílias. Significa que estudantes universitários com bolsas para estudar no estrangeiro têm de ver uma oportunidade escapar porque não são autorizados a viajar.

Na minha opinião, o controle repugnante e draconiano que Israel exerce sobre os palestinos de Gaza cercados e os palestinos da Cisjordânia ocupada (incluindo Jerusalém oriental), assim como a sua negação dos direitos dos refugiados de regressar às suas casas em Israel, exige que as pessoas com sentido de justiça em todo o mundo apoiem os palestinos na sua resistência civil, não violenta.

Onde os governos se recusam a atuar, as pessoas devem fazê-lo, com os meios pacíficos que tiverem à sua disposição. Para alguns, isto significou juntar-se à Marcha da Liberdade de Gaza; para outros, juntar-se à flotilha humanitária que tentou levar até Gaza a muito necessitada ajuda humanitária.

Para mim, isso significa declarar a minha intenção de me manter solidário, não só com o povo da Palestina, mas também com os muitos milhares de israelitas que discordam das políticas racistas e coloniais dos seus governos, juntando-me à campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel, até que este satisfaça três direitos humanos básicos exigidos na lei internacional.

1. Pondo fim à ocupação e à colonização de todas as terras árabes [ocupadas desde 1967] e desmantelando o muro;

2. Reconhecendo os direitos fundamentais dos cidadãos árabe-palestinos de Israel em plena igualdade; e

3. Respeitando, protegendo e promovendo os direitos dos refugiados palestinos de regressar às suas casas e propriedades como estipulado na resolução 194 da ONU.

A minha convicção nasceu da ideia de que todas as pessoas merecem direitos humanos básicos. A minha posição não é anti-semita. Isto não é um ataque ao povo de Israel. Isto é, no entanto, um apelo aos meus colegas da indústria da música e também a artistas de outras áreas para que se juntem ao boicote cultural.

Os artistas tiveram razão de recusar-se a atuar na estação de Sun City na África do Sul até que o apartheid caísse e que brancos e negros gozassem dos mesmos direitos. E nós temos razão de recusar atuar em Israel até que venha o dia – e esse dia virá seguramente – em que o muro da ocupação caia e os palestinos vivam ao lado dos israelitas em paz, liberdade, justiça e dignidade, que todos eles merecem.

Roger Waters

Fonte: A Verdade



quarta-feira, 30 de abril de 2014

Todo mundo já teve um Nokia

Marca finlandesa é um ícone das telecomunicações. Agora, vendida para a Microsoft, deve sair do mercado aos poucos

Nunca a teoria de Darwin sobre a evolução das espécies fez tanto sentido como no mundo tecnológico contemporâneo. Técnicas, produtos, ofícios e mercados que não se adaptam a um ambiente extremamente competitivo e em sucessiva mutação simplesmente desaparecem. E, nessa dinâmica fagocitária, é simbólica a transformação da marca Nokia em Microsoft Mobile, com a aquisição da tradicional companhia finlandesa pelo grupo americano.

A operação, avaliada em 5,4 bilhões de euros (US$ 7,5 bilhões ou R$ 16,7 bilhões), é mais um sinal de que as empresas do setor precisam se reinventar constantemente para não serem devoradas. Maior fabricante de celulares até 2012, com aparelhos robustos, baratos e eficientes, a Nokia - fundada em 1865 como uma fábrica de papel - começou a perder terreno em 2007, com o lançamento do iPhone, da Apple, e o avanço do sistema operacional da Google, o Android.

Antes, porém, quando a telefonia celular começou a ser explorada no Brasil, no início da década de 90, a Nokia era sinônimo de celular. É difícil encontrar quem nunca teve um Nokia ou um Motorola, sua grande concorrente no pós-modernização das telecomunicações no Brasil.

A aquisição da divisão de celulares da Nokia pela Microsoft, anunciada em setembro, será formalizada amanhã. A companhia - uma espécie de Davi da Finlândia que chegou a ameaçar o então Golias americano Motorola - pertencerá totalmente à Microsoft e deverá se transformar na sua divisão de celulares.

Será o fim de uma marca icônica e de um peso-pesado da economia finlandesa, que entre 1998 e 2007 contribuiu com um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo a revista The Economist.

"A Nokia ficou no passado, perdendo a corrida para Google e Apple", afirma o engenheiro Hermano Pinto, especialista em rede de telecomunicações. Outro especialista, que pediu para não ser identificado, lembra que, na área de telecomunicações, tem sido comum a empresa que é comprada assumir a marca da compradora. "Está sendo assim com a Motorola, comprada pela Google. Foi assim quando a sul-coreana BenQ comprou a Siemens. Esse é o jogo".

Fonte: AFP

quarta-feira, 19 de março de 2014

Combate ao Marco Civil da internet é caso de polícia

Não é preciso ser um gênio da computação ou dos negócios para entender o que está dificultando a aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto de lei do Marco Civil da internet. É hora, pois, de alguém explicar a questão em linguagem bem simples e chamar as coisas pelo nome.

O governo federal enviou ao Congresso um projeto de lei que regulamenta o provimento de acesso à internet no Brasil. Antes de mais nada, esse marco regulatório é uma garantia para a sociedade de que o intenso processo de inclusão digital em curso no país não será dificultado.

O que pode dificultar fortemente esse processo é o encarecimento do acesso à internet e a quebra da neutralidade na rede, ou seja, o aumento do custo de hospedagem de sites. Para a blogosfera independente, por exemplo, a quebra da neutralidade seria mortal.

Como signatário de um site – este Blog, em verdade, é um site como o UOL, G1 ou qualquer outro –, digo que qualquer aumento no custo de hospedagem inviabilizaria meu trabalho, pois mal consigo suportar esse custo como está hoje.

Quem quer dificultar a vida dos brasileiros na internet são as ditas “teles”, as empresas provedoras de acesso ou de hospedagem de sites. E não é por maldade que essas empresas – em boa parte transnacionais – querem isso. É por lucro, claro, mas é, também, por interesses políticos.

Em primeiro lugar, a inclusão digital é uma ameaça aos tentáculos mais vorazes do capitalismo. As vozes dissonantes que a internet permite que pela primeira vez na história possam se fazer ouvir em qualquer parte e a baixo custo ameaçam àqueles que mantém este país tão desigual.

Ainda nesse aspecto político, a concorrência que blogs, sites e redes sociais fazem à mídia tradicional é uma pedra no sapato dela. Pense bem: que diferença há hoje entre acessar o portal UOL ou outros grandes portais e acessar um blog como este?

A velocidade de acesso é igual, o custo para acessar é igual. Só o que separa um site como este de um site como o UOL é o conhecimento desse site pelo público. Mas como a blogosfera é vasta, todo o público de um grande portal conhece ao menos um bom grupo de blogs e sites independentes.

E há outra questão. As reclamações do serviço das operadoras de acesso à internet são muitas. Essas empresas não entregam a velocidade de acesso contratada e o governo vem obrigando a que cumpram suas obrigações contratuais.

Essas empresas, para cumprir os contratos que descumprem, têm que fazer investimentos. Adivinhe, leitor, de onde querem tirar esses recursos para investir… Do seu bolso, claro. E, creia-me, sem garantia de que, agora, cumprirão o que prometem.

A função do Congresso deveria ser defender os brasileiros da esperteza dessas empresas e dos interesses políticos dos grandes meios de comunicação que não querem blogs, sites e redes sociais contradizendo suas “verdades”. Contudo, há um blocão de deputados fazendo o jogo dos tubarões.

Todos os especialistas sérios em internet defendem o Marco Civil que o governo está propondo. Inclusive, defendem um ponto desse marco regulatório do qual o governo está abrindo mão na tentativa de aprovar, pelo menos, a neutralidade na rede.

O ponto que o governo está negociando é a obrigatoriedade que pretende impor às teles para que mantenham os dados dos internautas brasileiros no Brasil. Isso, após a descoberta da espionagem dos EUA, parece uma medida mais do que lógica. Mas, pasme-se, há deputado que não quer.

E há muito deputado que tampouco quer neutralidade na rede, veja só.

Ora, ora, ora… A pergunta é, simplesmente, por que.

Como é possível que representantes eleitos pelo voto popular atuem contra o interesse do internauta brasileiro e em favor de empresas de telecomunicações – inclusive e sobretudo – de origem estrangeira? O que há por trás dessa conduta?

Vamos chamar as coisas pelo nome, caro leitor? Então vamos: o que tem por trás dessa conduta desses deputados é uma coisinha chamada suborno. É isso aí: as teles só podem estar subornando deputados. Não tenho provas, mas não pode ser outra coisa.

Contudo, falta de provas não é nada que uma boa investigação da Polícia Federal não resolva. Os deputados que estão atuando contra o interesse da sociedade por certo têm motivo$ muito forte$ para agir como estão agindo. Motivo$ que uma boa investigação poderia detectar.

Fonte: Blog da Cidadania

quarta-feira, 5 de março de 2014

Steve Ballmer faz mea-culpa: Microsoft negligenciou o celular

A Microsoft esqueceu o mercado de smartphones e tablets nos últimos dez anos, disse Steve Ballmer, ex-CEO da companhia, em uma palestra para alunos de MBA da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, nesta terça-feira. O executivo, que passou o cargo para Satya Nadella há um mês, afirmou que gostaria de voltar no tempo e repensar a estratégia da empresa no setor mobile.

"Poderíamos ter uma posição mais forte no mercado de smartphones hoje em dia se eu pudesse 'reviver' a última década", explicou Ballmer. A solução da companhia, adiantou o executivo, é identificar e pegar a próxima onda. Ainda de acordo com o ex-CEO, a aquisição da Nokia, em setembro do ano passado, foi muito importante para o futuro da Microsoft.

A próxima onda, na visão de Ballmer, é o WhatsApp. O serviço de mensagens instantâneas foi adquirido pelo Facebook por 19 bilhões de dólares. "É uma moda passageira?", questionou. "Provavelmente, não. (...) Será que os 450 milhões de usuários justificam tamanho investimento? Pessoas razoáveis, como Mark Zuckerberg (CEO do Facebook), acreditam que sim. Então não há razões para duvidar."

Esta foi a primeira aparição pública de Ballmer desde que ele passou o cargo para Nadella, em fevereiro. "Eu sou um membro do conselho bastante ativo", disse o ex-CEO, que entrou na Microsoft em 1980 e passou a comandar a companhia em 2000. "Eu tenho 4% da empresa e me preocupo com o futuro dos meus filhos, com meus investimentos e com os investimentos dos outros acionistas", afirmou aos estudantes.

Durante uma hora, Ballmer respondeu perguntas dos alunos, deu conselhos e destacou que as decisões mais difíceis que já tomou na vida estavam relacionadas à contratação e demissão das pessoas certas. De acordo com o ex-CEO, a tecnologia tem dois papéis fundamentais nos próximos anos: incluir no mercado consumidor 1 bilhão de pessoas e revolucionar setores como o de saúde e educação.

Fonte: Veja

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Operadoras abrem mais espaço ao Firefox OS


Criado como uma alternativa ao domínio do Android, do Google, e do iOS, da Apple, no mundo dos smartphones, o sistema operacional Firefox OS, vai aos poucos ganhando apoio de operadoras e fabricantes.

Durante o Mobile World Congress (MWC), que vai até quinta-feira em Barcelona, a Fundação Mozilla, dona do navegador de internet homônimo e do Firefox OS, mostrou mais sete novos aparelhos que serão lançados com o sistema em 2014. Os modelos se juntarão a outros três que chegaram ao mercado no segundo semestre do ano passado. A chinesa Spreadtrum, que faz projetos de dispositivos no modelo de produção sob encomenda, apresentou um modelo que poderá ser vendido por US$ 25. Um quarto do patamar atual, de US$ 100.

Além de novas opções de produtos, o Firefox OS também terá sua distribuição ampliada neste ano. As operadoras Telefónica e Deutsche Telekom vão levar o sistema para mais 12 países. Com isso, ele estará disponível em 27 mercados, por meio de 21 operadoras.

A expectativa de empresa de pesquisa IDC é que o Firefox OS tenha um crescimento de seis vezes no volume de produtos colocados no mercado neste ano. Por se tratar de um sistema ainda muito novo, a participação do Firefox OS ainda é pequena em termos globais. Mas tem ganhado espaço. Na Venezuela e na Colômbia, por exemplo, já representa 9% e 12% do mercado, respectivamente.

"O ano de 2014 será o momento de ganhar escala, levar o sistema para o máximo de pessoas que pudermos", disse ao Valor, Andreas Gal, vice-presidente de mobilidade da Fundação Mozilla. Gal diz que não há meta específica de crescimento para o sistema. "Somos uma Fundação, não temos que dar satisfação a acionistas a cada três meses", disse. "Nosso objetivo é trazer uma opção para o mundo da mobilidade, assim como fizemos com os navegadores".

A Fundação Mozilla foi criada há cerca de 15 anos como antítese ao modelo de software proprietário da Microsoft, o navegador Internet Explorer, que por anos dominou o mercado. Apesar dos esforços, o Firefox nunca chegou a ter uma participação significativa do mercado. Sua proposta, no entanto, abriu caminho para que o Google lançasse o Chrome, que em 2012, tomou a liderança do mercado de navegadores.

Para Gal, o mundo da mobilidade precisa passar por uma mudança semelhante. "A liderança do Android e do iOS é uma situação momentânea porque não há uma alternativa aberta no mercado. Hoje esses sistemas têm algumas opções para os internautas, mas isso não é nada frente ao que existe na web como um todo", disse ele. "A gente pode se encontrar daqui uns 10 anos e olhar para trás. Tenho certeza que o cenário será outro".

Fonte: ABINEE


domingo, 16 de fevereiro de 2014

O jogo perigoso da desinformação

Os três principais jornais de circulação nacional, que ainda definem a agenda institucional no país, fecham a semana com uma proeza digna de figurar na longa lista de trapalhadas da imprensa, cujo troféu mais lustroso é o caso da Escola Base. Por uma dessas ironias da história, no dia 22 do mês que vem completam-se vinte anos do noticiário que inventou um caso de pedofilia numa escola infantil de São Paulo, e o roteiro se repete perversamente.

A morte do cinegrafista Santiago Andrade, atingido na cabeça por um rojão de alta potência durante manifestação no Rio de Janeiro, tem todos os ingredientes para se tornar uma versão revista e ampliada desse que foi o marco do jornalismo espetaculoso e irresponsável no Brasil.

Os ingredientes para uma grande farsa estão reunidos: os dois jovens que foram identificados como autores do homicídio são compulsoriamente representados por um advogado que ganhou dinheiro com a defesa de milicianos e – colocados no grande liquidificador da mídia –, produzem uma sucessão de declarações que, a rigor, não poderiam ser incluídas num inquérito. E tudo que dizem – ou alguém diz que disseram – vira manchete.

Na sexta-feira (14/2), o alvo do noticiário é uma lista de doadores que contribuíram para a realização de uma festa, no dia 23 de dezembro do ano passado, intitulada “Celebração da Rua – Mais Amor, Menos Capital”. O evento foi realizado na Cinelândia, no centro do Rio, com coleta de doações em benefício de moradores de rua e vítimas das enchentes, juntando militantes de todos os tipos, inclusive professores e ativistas contra a Copa do Mundo. Os jornais citam vereadores, um delegado de polícia e até um juiz do Tribunal de Justiça, insinuando que eles estavam apoiando o movimento chamado Black Bloc.

Nessa corrente de declarações, suposições e especulações, a imprensa já afirmou que os atos de vandalismo que acompanham a onda de protestos no Rio de Janeiro têm o dedo do deputado Marcelo Freixo, do PSOL; depois, o Globo citou uma investigação que acusa o deputado e ex-governador do Rio Anthony Garotinho, do PR, de incentivar a violência.

Um exemplo desse jornalismo de fancaria: o título publicado no domingo (9/2) pelo portal G1, do grupo Globo: “Estagiário de advogado diz que ativista afirmou que homem que acendeu rojão era ligado ao deputado Marcelo Freixo”.

O fundo do poço

Nas edições de sexta-feira (14/2), os jornais fazem malabarismos para concentrar a denúncia no PSOL, PSTU e numa organização pouco conhecida chamada Frente Independente Popular.

A citação dessas organizações foi tirada de uma frase do auxiliar de limpeza Caio Silva de Souza, acusado de haver acendido o petardo que matou o cinegrafista. Segundo os jornais, o jovem disse acreditar que os partidos que levam bandeiras às manifestações são os mesmos que pagam a ativistas que se dedicam a depredações e a enfrentamentos com a polícia. Nenhuma referência às investigações sobre a participação de militantes ligados a Anthony Garotinho, ainda que tais informações tenham como fonte um inquérito oficial em vez de declarações fora de contexto.

Exatamente como no caso da Escola Base, o julgamento apressado produz desinformação: pinta-se um perfil bipolar dos dois jovens, ora como se fossem perigosos terroristas, ora como se se tratasse de duas criaturas desamparadas que foram aliciadas por forças políticas interessadas em uma espécie de “revolução bolivariana”, para usar a expressão irônica da colunista Barbara Gancia, na Folha de S. Paulo.

Nas duas versões, o enredo vai compondo um painel cujo resultado parece a cada dia mais claro: a demonização da política partidária, com foco muito claro em agremiações de pouca expressão eleitoral, todas coincidentemente alinhadas à esquerda do espectro político.

Pode-se discordar de objetivos e estratégias de partidos, indivíduos e organizações que se consideram artífices de uma revolução, pode-se acusá-los de tentar compensar a falta de correligionários com bumbos e palavras de ordem, mas o jogo torna-se muito perigoso quando a imprensa, hegemonicamente, atua no sentido de criminalizar o direito à manifestação pública de opiniões sobre o que quer que seja.

Nas redes sociais, esse noticiário tendencioso e irresponsável alimenta o extremismo reacionário ao ponto de inspirar chamamentos ao crime.

Se não é o fundo do poço para a imprensa, estamos quase lá.


Fonte: Observatório da Imprensa

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Por que o Google vendeu a Motorola por um quarto do preço

Gigante de busca comprou a fabricante por US$ 11,5 bilhões, em 2011, e vendeu por menos de US$ 3 bilhões ontem. Entenda os motivos São Paulo - Quando o Google anunciou a compra da Motorola por 11,5 bilhões de dólares, em 2011, o mercado de tecnologia entrou em uma nova era de expectativas: estaria o gigante de buscas caminhando para ser uma nova concorrente da Apple?

Hoje, um dia depois do anúncio da venda da empresa para a chinesa Lenovo, já se crê que não, o Google continuará a focar no que entende e faz de melhor: serviços em software.

A venda por 2,91 bilhões de reais, menos de um quarto do valor investido, deixa claro que o Google fracassou na tentativa de entrar no segmento de hardware de olho na concorrência com as maiores do setor, Apple, Microsoft e Samsung.

Isso porque, com a compra da Motorola, o Google levou para casa uma série de patentes de telefonia e comunicações que eram da empresa adquirida. E um poderio de contatos com operadoras na América Latina e Estados Unidos capazes de fazer com que o gigante de buscas conquistasse o "mundo" também na área de aparelhos de telefonia Android.

Por outro lado, o Google também teve de adquirir a dificuldade de lidar com a fabricação e criação de produtos, uma habilidade muito mais custosa e demorada que a de criação e venda de software. Fazer hardware envolve fornecedores, suporte técnico, garantias, logística... todo um aparato bem distante do mundo de serviços que o Google lidera.

Já para a Lenovo, a compra da Motorola abre uma porta de expansão mundial e possível liderança em smartphones, um setor que a companhia domina há anos. Comprar uma empresa forte em um setor e dominar o segmento em que ela atua não é novidade para a Lenovo. A companhia é hoje líder em vendas de computadores e notebooks no mundo, passo impulsionado pela compra da divisão de PCs da IBM, em 2005.

Por aqui, a Lenovo manterá as marcas Lenovo e Motorola juntas e a marca CCE deve seguir como a de produtos de baixo custo, de acordo com Yang Yuanqing, executivo-chefe da Lenovo. Resta saber quanto essa mudança, a longo prazo, deve alterar os planos da companhia para o Brasil. 

Fonte: Exame

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Juiz dos EUA decide contra escutas da NSA

Corte determinou que o programa de vigilância viola a privacidade dos cidadaos Um juiz americano determinou nesta segunda-feira (16) que o programa de vigilância da Agencia de Segurança Nacional (NSA, sigla em ingles) viola a privacidade dos cidadaos e a quarta emenda da Constituiçao dos Estados Unidos.

A decisao emitida pela Corte do Distrito de Washington está pendente de apelaçao, mas caso seja confirmada, pode impedir a agencia de espionagem de recopilar indiscriminadamente dados telefônicos de milhoes de usuários.

O juiz Ricard Leon qualificou a compilaçao de dados em grande escala de "atentado r vida privada". "É evidente que semelhante programa viola" os valores defendidos pela quarta emenda da Constituiçao americana relativa r privacidade, destacou Leon.

Os denunciantes, Larry Klayman e Charles Strange, levaram o caso r Justiça após os vazamentos de informaçoes por parte do ex-analista de Inteligencia Eduard Snowden sobre o programa da NSA.

A decisao impede o governo de recolher dados de e-mails e telefones de Klayman e Strange, e determina a destruiçao das informaçoes já obtidas sobre os dois.

As revelaçoes do ex-consultor de Inteligencia Edward Snowden sobre o programa da NSA para monitorar bilhoes de telefonemas e e-mails em todo o mundo provocaram uma onda de protestos.

Na sexta-feira, o grupo de estudo encarregado de investigar as práticas de espionagem da NSA entregou seu relatório ao presidente dos EUA, Barack Obama, no qual faz várias recomendaçoes para proteger a privacidade.

Entre as medidas recomendadas está a supervisao direta da Casa Branca sobre a lista dos líderes estrangeiros cujas comunicaçoes sao vigiadas, uma consequencia direta do escândalo diplomático provocado pela revelaçao dos "grampos" contra a presidente Dilma Rousseff e a chanceler alema, Angela Merkel.

Fonte: Jornal do Commércio (PE)

domingo, 8 de dezembro de 2013

FBI é capaz de ativar webcams para espionar usuários desavisados

O FBI desenvolveu técnicas avançadas de vigilância que lhe dão o poder de ativar secretamente webcams para espionar os proprietários de computador desavisados.

A tecnologia G-men pode ligar remotamente câmeras que transmitem imagens em tempo real para os investigadores - sem acionar a luz que mostra que a câmera está em uso, de acordo com o The Washington Post.

Ainda segundo a reportagem, o FBI consegue invadir o computador de um suspeito e fazer o download de arquivos, fotos e e-mails armazenados.

O FBI tem tido a capacidade de esgueirar-se em webcams dos computadores há vários anos, disse um ex-funcionário da agência ao Washington Post. A fonte do jornal disse que o FBI tem usado a sua ferramenta , principalmente, contra o terrorismo e nas investigações "mais graves.''

Fonte: As informações são do New York Post

sábado, 14 de setembro de 2013

Software livre é a scial



(Por Inovação Tecnológica, com infos da New Scientist)

Os documentos revelados por Edward Snowden confirmam as suspeitas de longa data de que as agências conspiram secretamente com empresas de tecnologia para irem diretamente aos arquivos que eles querem bisbilhotar. Mas os mortais comuns, que precisam usar a internet rotineiramente, têm como fugir dos olhos do "Grande Irmão"?

O que fazer quando o próprio Estado passa a ser o malfeitor e começa a espiar a tudo e a todos?

A sabedoria convencional diz-nos que precisamos de nos precaver contra ladrões e malfeitores.

Quando eles eventualmente conseguem as suas intenções, precisamos acionar o Estado, através de instituições como Polícia e Justiça, para que possamos fazer valer nossos direitos.

Mas o que fazer quando é o próprio Estado, uma organização da sociedade para cuidar da sociedade, que passa a ser o malfeitor e começa a espiar tudo e todos?

Esta é a sensação que tem deixado perplexa a população do mundo todo, seja dos países "espiadores", seja dos "espiados" - afinal, ninguém parece estar livre do que alguns comentadores chegaram a chamar de "terrorismo de Estado".

Os grandes vilões desse enredo sui generis são as agências de segurança dos Estados Unidos e do Reino Unido - NSA (National Security Agency) e GCHQ (Government Communications Headquarters), respetivamente.

Segundo especialistas, graças à ação destes órgãos, a internet, a grande estrela da atual "Era da Tecnologia", que estaria a disseminar o conhecimento e a permitir o relacionamento interpessoal em níveis inéditos na história da humanidade, a internet está agora cheia de buracos, e esses buracos estão cheios de olhos a monitorizar todo o mundo.

Mas, com todas as medidas de segurança e as técnicas de criptografia, como podem eles estar a conseguir fazer isso?

O mais espantoso é que o trabalho desses espiões oficiais não tem sido difícil.

Agências de espionagem minam segurança da internet

Apesar da impressão, passada em algumas reportagens, de que as agências de espionagem teriam feito alguma descoberta matemática que tornaria a criptografia obsoleta, na verdade o que elas têm usado são as velhas "técnicas sujas".

A primeira ação de força das agências de espionagem dos EUA e do Reino Unido têm sido forçar os fornecedores de tecnologia a enfraquecer deliberadamente as medidas de segurança nos sistemas de computação on-line que todo o mundo usa.

Como toda a ação de força gera outra na mesma proporção, os espiões oficiais podem estar na verdade a comprometer a segurança de todos, já que as vulnerabilidades inseridas podem ser exploradas por qualquer um que as descubra.

Os documentos revelados por Edward Snowden, agora exilado na Rússia, confirmam as suspeitas de longa data de que as agências conspiram secretamente com empresas de tecnologia para introduzir "portas traseiras" (backdoors) que ignoram as medidas de segurança da informática - como senhas, autenticação de dois fatores e criptografia - para irem diretamente aos arquivos que eles querem bisbilhotar.

Um dos documentos divulgados revela que a NSA e a GCHQ têm trabalhado para "inserir vulnerabilidades em sistemas comerciais de criptografia, sistemas de TI, redes e dispositivos de comunicação de ponto final utilizados pelos alvos" - onde um "sistema de comunicação de ponto final" significa simplesmente um computador, tablet ou telemóvel.

Gerador de números não tão aleatórios

Uma das primeiras vítimas dos espiões oficiais foram os geradores de números aleatórios, que os algoritmos de criptografia usam para gerar chaves seguras.

"Um dos truques mais velhos é modificar o gerador de números aleatórios para que ele produza apenas um pequeno subconjunto de todos os números aleatórios que normalmente deveria," explica Markus Kuhn, da Universidade de Cambridge.

Essa mudança significa que o software só pode produzir uma lista muito menor de chaves secretas do que deveria, embora o número de chaves ainda seja muito grande para que alguém note a mudança sem analisar tudo detalhadamente.

Os geradores quânticos de números verdadeiramente aleatórios poderão ser uma alternativa para fugir da espionagem oficial. [Imagem: JQI]

O problema é que, quando outro mal-intencionado - alguém não oficial - fica a saber disto, ele pode tentar decifrar mensagens criptografadas usando apenas uma pequena lista de chaves.

Isso torna mais factível usar a força bruta para quebrar a criptografia - tudo o que você precisa é poder de computação suficiente, o que, naturalmente, a NSA e a GCHQ têm de sobra.

As agências também estão a pegar em chaves diretamente com os prestadores de serviços on-line, segundo Kuhn.

O protocolo de criptografia TLS - o que coloca o "s" em conexões HTTPS seguras - baseia-se em servidores que armazenam uma chave secreta para decifrar as mensagens ou transações.

A NSA suborna administradores de sistemas, infiltra-se na organização, ou simplesmente obtém uma ordem judicial, para ter acesso a estas chaves, permitindo intercetar e descodificar qualquer tráfego para o servidor.

Software Livre

Mas os mortais comuns, que precisam usar a internet rotineiramente, têm como fugir dos olhos do "Grande Irmão"?

O professor Kuhn garante que sim.

E trata-se de uma opção simples e barata - na verdade gratuita.

Para evitar o olhar de quem quer que seja, Kuhn afirma que as pessoas devem recorrer aos softwares livres (open-source).

A vantagem é que muitas pessoas avaliam o código de cada programa, podendo identificar qualquer tentativa de enfraquecê-lo.

Indicação do Serpro

A utilização de softwares livres, ou seja, programas de internet com códigos abertos, que podem ser copiados e modificados por qualquer pessoa, pode ser uma opção para evitar problemas de espionagem como os que foram denunciados recentemente. A avaliação é do diretor-presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Marcos Mazoni.

“O mundo do software livre é uma belíssima resposta a tudo isso que está acontecendo no mundo hoje. Se nós trabalhamos com códigos fechados, que não nos permitem saber o que estão fazendo, é muito mais propício a uma decisão desse fornecedor se vai nos espionar ou não. No mundo do software livre, a decisão passa para nós, muda de lado, passa para o mundo do usuário”, explica. Mazoni lembra que a implementação do software livre em plataformas de governos sempre teve como foco aumentar a segurança dos dados dos países.

Para debater essas e outras questões, o Serpro promove, de 13 a 15 de agosto, a sexta edição do Congresso Internacional Software Livre e Governo Eletrônico (Consegi), em Brasília. O tema deste ano é Portabilidade, Colaboração e Integração. “São temas muito atuais: estamos trabalhando com a lógica de que o mundo da tecnologia vai ter que suportar mobilidade, rede social, grandes quantidades de informações”, disse Mazoni.

O evento terá 50 oficinas e 150 palestras, com a participação de representantes de diversos países, entre agentes públicos, movimentos sociais, hackativistas, pesquisadores e estudantes para debater tecnologias que podem ampliar o acesso à informação e agilizar a prestação de serviços públicos.

No ano passado, o evento reuniu cerca de 5 mil participantes, e a expectativa é que esse número se amplie para até 6 mil participantes neste ano. O evento é gratuito e as inscrições podem ser feitas pelo site da organização . Entre as oficinas oferecidas estão edição de músicas e vídeos ou criação de aplicativos móveis e robôs com softwares livres.

Artigo do site Inovação Tecnológica, com informações da revista New Scientist

(Publicado em Esquerda.net)