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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Sai lista de instituições selecionadas para desenvolver projetos de inovação

Dez instituições de pesquisa tecnológica foram credenciadas no primeiro processo seletivo promovido pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). A lista dos selecionados foi divulgada na última segunda-feira (18).

Foram credenciados o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Fundação CPqD, a Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi), o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), o Laboratório de Metalurgia Física da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Laboratório de Pesquisa em Refrigeração e Termofísica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o Instituto Senai de Inovação em Engenharia de Polímeros (ISI), o Centro de Energia Elétrica e Informática da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e o Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec).

Para se habilitar ao credenciamento, as instituições tiveram que apresentar planos de ação e comprovar experiência tanto no desenvolvimento como na realização de projetos com recursos privados. Na avaliação da Embrapii, as dez instituições de pesquisa selecionadas têm nível de excelência. Elas se somarão às três unidades de pesquisa tecnológica que integram o projeto piloto da empresa. São elas: Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT), de São Paulo; o Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCTI), do Rio de Janeiro; e o Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Cimatec/Senai), da Bahia.

Os projetos que serão desenvolvidos pelas 13 instituições atingem R$ 1,78 bilhão. Desse total, R$ 449,6 milhões serão aportados pela Embrapii.

O diretor da Coppe, Luiz Pinguelli Rosa, considerou o programa um incentivo ao desenvolvimento de inovações . “A Coppe poderá contribuir para avanços tecnológicos que levem o Brasil a usufruir do petróleo do pré-sal”, destacou. A expectativa é que os recursos comecem a ser liberados nos próximos meses.

Resultado de parceria dos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Educação (MEC) com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) visa a fomentar projetos de inovação em processos e produtos que sejam desenvolvidos em parceria entre empresas e instituições de pesquisa tecnológica. A Embrapii financia com recursos não reembolsáveis parte significativa destes projetos.

Fonte: Agência Brasil

domingo, 10 de agosto de 2014

Erros de engenharia na Boate Kiss

O incêndio que deixou 235 mortos, até a atual data (31/01/13), na madrugada de domingo 27 de janeiro em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, acabou por revelar os defeitos da estrutura que existiam na boate Kiss, onde aconteceu o ocorrido. A avaliação feita por Ivan Ricardo Fernandes, engenheiro civil e capitão do Corpo de Bombeiros do Paraná, indica que a casa noturna não estava regulamentada nas normas básicas de segurança contra incêndios, como capacidade de lotação e número suficiente de saídas de emergência.

A estimativa de segurança apropriada foi baseada na lotação atual do ocorrido, após análise de imagens e relatos de testemunhas. Famosa por abrigar festas universitárias, a casa noturna informava poder abrigar até 2 mil pessoas. Mas em seu primeiro alvará a boate indicava a capacidade máxima de apenas 691 pessoas.

Uso de artefatos pirotécnicos.

Produtor musical da banda, disse ter deixado preparados, nas laterais do palco, dois “fogos gelados”. Um tipo de fogos que não queimam, próprio para ser usado em locais fechados, mas como ocorreu um incêndio acreditasse que os fogos usados no show eram os mais baratos.

O produtor da banda Gurizada Fandangueira foi quem comprou os fogos de artifícios usados pela banda na noite do incêndio. Em depoimento à polícia, ele admitiu que o grupo não tinha autorização para utilizá-los, contou como funcionavam os fogos e disse que chegou a tentar apagar o início do incêndio com uma garrafa d’água.

Saídas de Emergência.

Considerando os padrões exigidos pela ABNT, a largura total das saídas da boate Kiss deveria, considerando sua estrutura, ter pelo menos 7 metros. Porém, segundo testemunhas, entretanto, só havia uma porta de 2 metros de largura, que servia de entrada e saída do público.

De acordo com os bombeiros para um estabelecimento com uma única saída de 2 metros a capacidade máxima seria de 400 pessoas. Mesmo assim comenta por ser uma casa noturna, a boate Kiss deveria ter, pelo menos, duas saídas de emergência.

A partir das imagens da boate, só haveria uma rota de fuga, que era a própria porta de entrada e saída. Ainda com base nas normas da ABNT, a distância máxima a ser percorrida de qualquer lugar do estabelecimento até a saída não poderia exceder 30 metros.

A boate possuía duas “portas de saída”, mas essas davam para um hall que levava a única porta que funcionava como entrada e saída da boate.

Extintores

Testemunhas relataram que alguns seguranças tentaram apagar as chamas no teto da boate com extintores e que os equipamentos não funcionaram. Um segurança e o vocalista da banda tentaram operar o equipamento, que falhou. A boate sustenta que contava com “todos os equipamentos previsíveis e necessários para o sistema de proteção e combate contra o incêndio”. O delegado Marcelo Arigony disse que os extintores poderiam ser falsos.

Espuma de isolamento acústico.

A espuma de isolamento acústico usada na boate era de poliuretano. Ela foi fixada no teto da boate em julho do ano passado, portanto, depois da última vistoria dos bombeiros. O advogado de Kiko Spohr, um dos sócios da boate, disse que seu cliente não tinha conhecimento técnico sobre o assunto e contratou uma empresa de engenharia para planejar e executar a obra de adequação acústica.

A espuma de poliuretano ao entrar em combustão ela libera ácido cianídrico, um gás altamente venenoso, utilizado no holocausto e nas câmaras de gás para execução de prisioneiros em alguns estados dos Estados Unidos.

O ácido cianídrico combina-se com a hemoglobina, bloqueando o transporte de oxigênio e consequentemente a respiração celular. Ele demora de 3 a 4 minutos para fazer efeito no organismo humano.


Alvarás:

Conforme Decreto 49.969/08, todos os locais de reunião, considerando todos os recintos fechados destinados a reuniões públicas, com lotação igual ou superior a 250 (duzentos e cinquenta) pessoas, tais como teatros, auditórios para conferências, salões para bailes ou danças, boates, casas noturnas, clubes e similares deverão requerer o Alvará de Funcionamento de Local de Reunião.

A prefeitura de Santa Maria afirma que a sua responsabilidade era apenas sobre o alvará de localização. Segundo o prefeito Cezar Schirmer, o que estava vencido era o alvará de prevenção e proteção contra incêndio, que é fornecido pelos Bombeiros. O major Gerson Pereira disse que a corporação “fez tudo o que estava ao alcance”. A boate sustenta que a situação estava regular, pois já havia pedido a renovação.

Portanto:

A boate desrespeitou pelo menos dois artigos de leis estadual e municipal no que diz respeito ao plano de prevenção contra incêndio. Tanto a legislação do Rio Grande do Sul quanto a de Santa Maria listam exigências não cumpridas como a instalação de uma segunda porta, de emergência. Outra medida que não foi cumprida na estrutura da boate diz respeito ao tipo de revestimento utilizado como isolamento acústico.

Fonte: Engenharia É



segunda-feira, 28 de julho de 2014

China se prepara para desafiar EUA no espaço

No dia 23 de julho a China realizou novo teste de um míssil destinado a destruir satélites na órbita terrestre. Os testes não incluíam a destruição do alvo. Esta informação foi divulgada pelo Departamento de Estado dos EUA citando fontes dos serviços secretos.

Este foi o primeiro teste realizado depois do apelo do presidente chinês Xi Jinping para um reforço da presença no espaço. O apelo foi feito em abril durante a inspeção a uma unidade da Força Aérea.

Na mesma altura Xi Jinping declarou pela primeira vez que a China deveria poder responder à militarização do espaço por parte dos países concorrentes, sobretudo os EUA. Ele prometeu desbloquear fundos suplementares para a criação de “um novo tipo de força militar”, de forma que o exército possua tudo o que necessite para reagir de forma rápida e eficaz a qualquer potencial situação de crise.
Esta é a segunda sequência de testes durante a atual direção. A primeira ocorreu em maio de 2013. Nessa altura a China colocou em órbita um interceptor cinético de sondas espaciais. Ele destrói o alvo com a força do impacto sem detonação de carga explosiva.

Entretanto, destruir um aparelho espacial do provável adversário não é o método mais eficaz, consideram os peritos. O método mais eficaz é atingi-lo de forma radioeletrônica ou com laser. Não é de excluir que foi isso que se testou desta vez. Pelo menos o analista político Vladimir Evseev não exclui a possibilidade da China já ter sistemas que neutralizem satélites com laser:

“A China aumenta suas diversas capacidades não apenas para atingir tecnicamente os satélites, mas também de os tornar cegos. Nomeadamente, através a colocação na proximidade do aparelho do provável adversário de microssatélites que o cercam, neutralizando sua visão. Isso deverá ser, provavelmente, o objetivo final dos seus projetos. Os trabalhos estão em curso, a questão é a fase em que se encontram. De qualquer forma, a China está se preparando para a possibilidade de haver guerra no espaço.”

Os EUA já comunicaram por diversas vezes aos representantes oficiais da China a sua preocupação pelo desenvolvimento de sistemas antissatélite. Os apelos para que os chineses se abstenham de desenvolver e testar esse tipo de armas são justificados por Washington com os interesses de segurança no espaço.

Os EUA receiam os avanços da China no espaço, diz o major-general Vladimir Dvorkin, perito do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais:

“Os norte-americanos são quem mais depende do espaço no apoio a quaisquer operações de reconhecimento e controle. Por isso eles, como é evidente, ficam preocupados quando os outros países desenvolvem ou testam sistemas que possam de alguma forma perturbar suas atividades espaciais. Os EUA temem que a China atinja um nível em que seu sistema antissatélites possa paralisar eficazmente a componente espacial de apoio militar.”

A China já lançou no espaço um sério desafio aos EUA. Agora ela continua competindo – precisamente na criação de armas antissatélite, considera o vice-presidente da Academia de Problemas Geopolíticos Konstantin Sivkov:

“Isso é um sistema real que a China está desenvolvendo. Ela possui todas as capacidades e possibilidades para criar essas armas e ela está desenvolvendo-as. Temos de olhar para a China como para um país que conquistou seu lugar entre os mais avançados no plano tecnológico. Ela inda está um pouquinho atrasada, mas esse atraso poderá ser compensado nos anos mais próximos.”

O primeiro teste sério de uma arma antissatélite foi realizado pela China em 2007. Em órbita baixa, um míssil balístico destruiu um velho satélite meteorológico chinês. Por enquanto ainda não há dados que confirmem ser a China capaz de destruir aparelhos espaciais em órbitas geoestacionárias. Para isso é preciso ter um grupo espacial de ataque.

A Rússia e a China propuseram uma convenção internacional para proibição da colocação de armas no espaço, por isso os peritos supõem que a China não irá colocar quaisquer armas no espaço. Contudo, ela pretende obter esse potencial e parece estar trabalhando nesse sentido.

Fonte: Natalia Kacho (Voz da Rússia)


sexta-feira, 4 de julho de 2014

Pressão Atmosférica

Deve-se ter em mente que a pressão média ao nível do mar situa-se em torno de 1013 Milibar(Mb) ou Hectopascal (hPa), essas são as unidades de medidas mais utilizadas hoje em dia no mundo. Os instrumentos utilizados para determinar a pressão atmosférica chamam-se barômetro ou barógrafo.

Diante dos veículos de medição, quando temos uma pressão atmosférica superior a 1013 Mb ou hPa (alta pressão ou anticiclone) é por que o ar está mais pesado, descendo, consequentemente mais frio e seco e nos dá uma boa pista para dizermos que poderemos não ter chuva e/ou frio. Se a pressão atmosférica estiver com valor abaixo de 1013 Mb ou hPa (baixa pressão ou ciclone) é porque o ar está mais leve, se ele está mais leve, ele subirá, levando o calor e umidade que se transformarão em nuvens e mais tarde em chuva, assim sendo o tempo poderá ser chuvoso e/ou quente.

Fonte: http://www.montanha.bio.br
 
 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Afinal, buracos negros existem?

Na CH deste mês, o físico George Matsas afirma que, até o final desta década, a nova geração de detectores produzirá provas concretas da existência dessas regiões do universo das quais nem a luz escapa.

Buracos negros são regiões de onde nem mesmo a luz consegue escapar devido ao intenso campo gravitacional, certo? Certo. Mas, até que ponto temos certeza de que eles existem?

Antes de mais nada, os buracos negros são uma previsão direta da relatividade geral, teoria da gravitação muito mais precisa que aquela universal, idealizada pelo físico britânico Isaac Newton (1643-1727). Sem a relatividade geral, o sistema de localização global (GPS), por exemplo, não funcionaria. Além disso, cálculos computacionais cada vez mais precisos, simulando a colisão de estrelas de nêutrons, bem como o colapso de estrelas muito massivas, dão fortes evidências de que deve haver muitos buracos negros no universo.

Os buracos negros são uma previsão direta da relatividade geral

Mas há evidências observacionais, além de teóricas? Avançamos muito desde 50 anos atrás, quando se dizia que a melhor prova da existência dos buracos negros era a de que eles nunca haviam sido observados – afinal, são negros. Uma busca na internet pelos verbetes ‘buraco negro’ e ‘sagittarius A’ nos conduz a vídeos que exibem estrelas no centro de nossa galáxia, orbitando um ‘ponto’ com quase 4 milhões de massas solares. Não há estrelas estáveis com essa massa.

Portanto, de longe, a melhor explicação para essa observação é que, no centro de nossa galáxia, há um buraco negro gigante. Trata-se de uma evidência indireta, mas convincente. Acredita-se, hoje, que, tipicamente, toda galáxia deve ter um buraco negro gigante em seu centro.

Ainda assim, os mais céticos não ficarão satisfeitos até que tenhamos evidências diretas, como a observação ‘inconteste’ de energia desaparecendo de nossa linha de visada. Afinal, isso é o que caracterizaria buracos negros: a existência de uma fronteira de não retorno – denominada horizonte de eventos –, de onde nada escapa.

Quando a rede EHT tiver precisão suficiente para ‘enxergar’ estruturas extremamente diminutas (microssegundos de arco), ‘veremos’, então, o buraco negro como uma mancha escura no centro da galáxia

Com um pouco de sorte, isso será possível em uns cinco anos, quando a rede global de radiotelescópios EHT (sigla, em inglês, para Telescópios de Horizonte de Eventos) estiver em pleno funcionamento. A ideia será combinar vários radiotelescópios espalhados pelo planeta, fazendo com que funcionem como um único, de tamanho igual ao da superfície da Terra. Então, quando essa rede tiver precisão suficiente para ‘enxergar’ estruturas extremamente diminutas (microssegundos de arco), ‘veremos’, então, o buraco negro como uma mancha escura no centro da galáxia.

Há também outra estratégia completamente diferente: detectar as ondas gravitacionais emitidas quando um buraco negro é perturbado – por exemplo, pela captura de uma estrela. Ondas gravitacionais são perturbações do próprio espaço-tempo que se propagam à velocidade da luz (300 mil km/s). Quando emitidas por buracos negros, essas ondas são como a impressão digital desses corpos cósmicos, porque têm propriedades muito características.

A detecção de ondas gravitacionais emitidas por buracos negros deve acontecer até o final desta década, quando a nova geração de detectores norte-americanos e europeus, Ligo e Virgo, estiver em funcionamento.

Mesmo depois de tudo isso, é bem possível que ainda haja pessoas especulando que aquilo que denominamos buracos negros talvez sejam apenas regiões de gravidade muito intensa, com um horizonte aparente – que não delimita nenhuma região de não retorno – no lugar do horizonte de eventos. Mas, nesse caso, o ônus da prova ficará com aqueles que, contra todas as evidências, advogarem a inexistência desses corpos.

Buracos negros estão por aí, pode apostar.

Fonte: George Matsas, Instituto de Física Teórica, Universidade Estadual Paulista, Texto originalmente publicado na CH 314 (maio de 2014)

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

China já é a terceira maior produtora de ciência do mundo

País está atrás apenas de EUA e União Europeia em número de artigos publicados, diz indicador da Fundação Nacional de Ciência americana

O vertiginoso crescimento da economia chinesa nos últimos anos foi acompanhado por uma alta considerável na produção científica do país, que acaba de alcançar a terceira posição mundial de acordo com indicador da Fundação Nacional de Ciência dos EUA (NSF, na sigla em inglês). Segundo a edição 2014 do levantamento anual feito pela NSF, o número de artigos produzidos por cientistas chinesas e publicados em periódicos cresceu em média 15% ao ano entre 2001 e 2011, fazendo a China sair de 3% da produção científica global para 11% em uma década, atrás apenas dos EUA e do bloco de 28 países da União Europeia.

Ainda de acordo com o relatório de 600 páginas da NSF, a China e outros países asiáticos responderam por mais de um terço dos US$ 1,435 trilhão investidos em pesquisa e desenvolvimento em 2011. E em 2012 a China gastou uma fatia um pouco maior do seu Produto Interno Bruto em ciência do que a União Europeia, apontou estatística divulgada no mês passado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O forte crescimento da produção científica chinesa ameaça a liderança dos EUA em ciência em tecnologia, disse Mark Boroush, estatístico da NSF e um dos autores do relatório, ao site da revista "Nature". Segundo ele, porém, isso não quer dizer que a capacidade americana está diminuindo, e sim que outras partes do mundo estão correndo atrás do prejuízo.

Já Denis Simon, especialista em ciência chinesa da Universidade do Arizona, destacou ao mesmo site que não há indicações de que os artigos publicados por cientistas chineses são consistentemente inovadores. Tanto que a fatia de artigos científicos chineses citados por cientistas de fora do país caiu nas últimas duas décadas, o que sugere que a maior produção científica está sendo usada principalmente dentro das fronteiras do país.

Fonte: Jornal da Ciência

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O analfabetismo científico no Brasil

Diante do mau resultado brasileiro no Pisa, educadores propõem soluções para melhorar desempenho de crianças e jovens em ciências

O Brasil sofre de analfabetismo científico. A avaliação é de educadores brasileiros que afirmam: nossas crianças não se interessam por ciência e a razão disso está num ensino fundamental deficiente e desinteressante, com professores mal preparados e condições inadequadas de infraestrutura. Eles alertam para o fato de a ciência não fazer parte do cotidiano das pessoas. A análise foi motivada pelo resultado do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2012, que revelou o mau desempenho dos alunos brasileiros nas provas de matemática, leitura e ciências. O pior resultado do país foi o 59º lugar em ciências em um ranking de 65 países.

Pensando em respostas práticas para melhorar nossa performance, o professor sênior do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), Luís Carlos de Menezes, aposta numa educação mais eficaz não só como preparação para exames. "Isso não se deve resumir ao ensino das ciências, mas a modificações profundas em todos os componentes de instrução", enfatiza.

Menezes, que atua na área de formação de professores, acredita que uma educação melhor depende de várias transformações que levem, por exemplo, a escola a ser um espaço de produção cultural, com práticas que envolvam a participação ativa e propositiva dos estudantes.

De acordo com o professor da USP, as transformações necessárias não se fazem sem recursos materiais e humanos e dependem de efetiva vontade política. "A formação de professores não deve estar restrita a aulas em faculdades, mas a práticas docentes supervisionadas nas escolas. E a ciência e tecnologia devem ser tratadas com atualidade e envolvimento criativo, não com ouvir falar de descobertas dos outros", opina.

Física também é cultura - Para Nelson Pretto, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Secretário Regional da SBPC/BA, também está na política, parte da solução. "Precisamos de uma política de implantação massiva e universal de museus, planetários, hackers labs, fab labs, espaços coletivos associados com a escola, onde a meninada possa criar e claro, tudo isso fortemente articulado com a cultura, pois como já dizia João Zanetic, professor de Física da USP, em sua tese de doutorado, "Física também é cultura", afirma.

Os hackers labs, a que se refere Pretto, são assim denominados com base na Hackers Lab - empresa criada na década de 90, na Coréia do Sul, que passou a contratar jovens hackers que antes eram investigados por cyber-crimes. Esta empresa assessorava outras companhias em questões de segurança de rede e com soluções informatizadas. Já um fab lab (do inglês fabrication laboratory) é uma espécie de oficina para fabricação de produtos tecnológicos.

Com esses exemplos Nelson Pretto chama a atenção para a forma como o conhecimento deve ser transmitido. "A questão fundamental é não achar que a formação científica seja apenas de forma escolarizada, ou seja, não basta que a juventude tenha aulas de ciências. Os conteúdos formais são importantes, mas não são as únicas coisas importantes. Fazer com que os jovens tenham gosto pelos fenômenos da natureza, pela criação e não apenas pelo consumo de informação científica", argumenta.

Popularização da ciência - Uma pesquisa realizada em 2010 pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) sobre a percepção pública da Ciência e Tecnologia no Brasil mostrou que a população brasileira não conhece os seus próprios cientistas e muito menos, a ciência e tecnologia aqui produzidas. A enquete demonstrou também que a maioria dos entrevistados não frequenta espaços científicos e culturais, como museus, zoológicos, jardim botânicos e bibliotecas.

Para Isaac Roitman, professor emérito e coordenador do Núcleo do Futuro (UnB), para reverter essa vergonhosa posição no PISA é preciso que haja uma inflexão da divulgação e a popularização da ciência e que o público alvo sejam as crianças, adolescentes e adultos. "A ciência deve ser matéria diária nos vários veículos da mídia: jornais, revistas, rádio, televisão, web, etc. Essas matérias devem abordar desde a história da ciência, as grandes descobertas científicas e mostrar a aplicação dos resultados das descobertas no cotidiano da vida de cada um", destaca.

De acordo com ele, não menos importante é a educação científica que pode ser perfeitamente iniciada na faixa etária de dois e três anos. Nessa idade as crianças são curiosas e, portanto ávidas e motivadas para a iniciação científica. "As nossas crianças não são atraídas para a carreira científica por várias razões. A primeira é que na maioria dos lares brasileiros a ciência não faz parte do cotidiano e certamente o analfabetismo científico é bem maior que o analfabetismo das letras", conclui Roitman.

Para os educadores, a promoção de feiras de ciências e olimpíadas com a participação de crianças e jovens também devem ser estimuladas. Na opinião do astrônomo João Batista Garcia Canalle, coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), para os estudantes terem motivação em aprender é necessária a experimentação. "Quando o educador provê uma demonstração de maneira prática, ou seja, uma atividade lúdica que vai além do quadro negro, os jovens prestam mais atenção. Nosso ensino é puramente livresco. O docente não sabe passar o conteúdo com ajuda de laboratórios quando os tem. Não sabe improvisar um experimento ou demonstração", avalia.

Segundo Canalle, as olimpíadas científicas vêm mostrando aos professores que há muito de experimental e prático. "E isso tudo pode ser explorado em sala de aula, desde que se conheça, com certa profundidade, os conteúdos a serem ensinados. Essas iniciativas tentam levar para os professores conhecimentos, técnicas de ensino e informações. Torna assim a aprendizagem demonstrativa e divertida" enfatiza o astrônomo.

Fonte: (Edna Ferreira / Jornal da Ciência)

sábado, 14 de dezembro de 2013

USP e Microsoft criam Centro de estudos de Tecnologia

A Universidade de São Paulo (USP) e a Microsoft assinaram um convênio para a criação de um Centro de Estudos de Tecnologia e Sociedade. A parceria prevê um investimento total de US$ 720 mil por parte da Microsoft no período de 2013 a 2015 e é a primeira iniciativa dessa natureza firmada pela empresa na América Latina, com o objetivo de estimular a pesquisa local sobre temas relevantes na área de tecnologia e com impacto na sociedade.

O Centro terá caráter multidisciplinar, envolvendo áreas como direito, economia, tecnologia da informação (TI) e ciências da computação. O objetivo principal é produzir estudos sobre temas como o impacto da computação em nuvem nas pequenas e médias empresas, a proteção da propriedade intelectual no segmento de software, a privacidade e a proteção de dados no ambiente digital, entre outros assuntos.

O espaço também nasce com a vocação de promover eventos internacionais, fortalecendo o intercâmbio de conhecimento entre acadêmicos de diversos países, principalmente do México e da Índia, tradicional polo de desenvolvimento de softwares. O acordo para a criação do Centro foi assinado pelo reitor da USP, João Grandino Rodas, e pelo diretor de assuntos corporativos da Microsoft Brasil, Rodolfo Fücher.

"A criação deste Centro é muito importante, porque a Universidade precisa juntar a teoria e a prática também, com o apoio de empresas", destacou Rodas. A coordenação e a administração do Centro será feita pela USP, sem qualquer interferência da Microsoft em metodologias e conclusões das pesquisas realizadas, garantindo total independência acadêmica. O investimento da Microsoft, o terceiro maior desse tipo já realizado no mundo, será usado para a gestão do espaço.

"Hoje o ritmo da inovação é cada vez mais rápido, por isso a Microsoft está entusiasmada em concretizar essa parceria com a USP. Esse centro irá estimular que alunos e professores desenvolvem estudos e papers sobre temas relevantes para o País e, certamente, será referência para a sociedade avançar em áreas que colaboram para o desenvolvimento e competividade nacional", disse Rodolfo Fucher, diretor de assuntos corporativos da Microsoft Brasil.

Além da parceria com a USP, a Microsoft firmou recentemente outros convênios que aproximam a empresa do universo de pesquisa acadêmica. Um deles foi na China, com a Universidade de Tsinghua. O acordo prevê um investimento de US$ 1 milhão da Microsoft. Outra parceria importante foi fechada com a Universidade de Washington para a criação de um laboratório que une as áreas de direito e tecnologia, estabelecendo diretrizes para advogados e legisladores especializados no tema. O aporte inicial foi de US$ 1,7 milhão.

Fonte: Convergência Digital

Cientistas da Transilvânia criam "sangue artificial universal"

Ratos tratados com o sangue artificial não apresentaram nenhum efeito colateral

Pesquisadores da Transilvânia, na Romênia, anunciaram recentemente a criação do primeiro "sangue artificial" que promete compatibilidade completa com qualquer organismo, sem efeitos colaterais mortíferos.

O pulo do gato é o seguinte: em vez da hemoglobina do sangue nosso de cada dia, esse novo sangue conta com a hemeritrina. Essa proteína, extraída de vermes marinhos, é então misturada com água e sais para consumar a invenção, que deve ajudar médicos a reduzir os índices de infecção das doações de sangue.

Em entrevista ao jornal romeno Descopera, o Dr. Radu Silaghi-Dumitrescu confirmou que ratos tratados com o sangue artificial não apresentaram nenhum efeito colateral, mas disse que a reação dos animais precisa ser observada por mais tempo antes de começarem os testes em humanos, previstos para ocorrer nos próximos dois anos.

Assim como a hemoglobina, a hemeretrina transporta oxigênio, sendo encontrada apenas em invertebrados. Uma das diferenças que pode causar estranhamento está na cor: em vez de vermelho, o sangue feito com hemeretrina é de um amarelo translúcido, que lembra a urina. Os pesquisadores garantem que "pintar" o sangue de outra cor não será um problema.

É justamente a hemeretrina, segundo os cientistas, que permite ao sangue artificial se adequar tão bem a qualquer organismo, já que ela resiste melhor ao procedimento.

Silaghi-Dumitrescu, cujo time vem trabalhando neste projeto há seis anos, espera que seu produto contribua para a criação de um "sangue instantâneo", que funcionaria como os sucos de pó: basta adicionar água, e você teria sangue pronto para o - digamos -consumo.

Fonte: Zero Hora